Pequena Abelha

Título: Pequena Abelha
Autor: Chris Cleave
Páginas: 272 páginas
Editora: Intrínseca



"Não queremos lhe contar o que acontece nesse livro.
É realmente uma história especial, e não queremos estragá-la.
Ainda assim, você precisa saber algo para se interessar, por isso vamos dizer apenas o seguinte:
Essa é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma delas precisa fazer uma escolha que envolve vida ou morte. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa... Depois de ler esse livro, você vai querer comentá-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como a narrativa se desenrola".


Pequena Abelha é o segundo livro de Chris Cleave. Finalista do Prêmio Costa de 2008 como Melhor Obra de Ficção, foi indicado ao Prêmio Commonwealth Writers' como Melhor Livro de 2009.
Este é um daqueles livros com uma história comovente. De um lado Abelhinha, uma refugiada da Nigéria que tenta construir uma nova vida na Inglaterra fugindo das autoridades, temendo voltar pra seu país onde foi testemunha de várias atrocidades; do outro Sarah, uma editora chefe recém viúva com um filho de cinco anos pra criar. Duas pessoas de mundos tão diferentes que terão suas vidas entrelaçadas novamente.
Minha irmã mais velha Niruka, ela se tornou mulher na estação do plantio, sob o sol da África [...] Quanto a mim, virei mulher sob as lâmpadas compridas de luz fluorescente branca, num quarto no subsolo de um centro de detenção de imigrantes e setenta e quatro quilômetros a leste de Londres.  Ali as estações não mudavam. Era frio, frio, frio, e eu não tinha ninguém para quem sorrir. Aqueles anos frios estão congelados dentro de mim. A menina africana que eles trancaram no centro de detenção de imigrantes, coitadinha, aquela nunca saiu realmente dali. Dentro da minha alma, ela ainda está presa lá, para sempre, sob as luzes fluorescentes, encolhida no piso de linóleo com os joelhos enfiados debaixo do queixo. E essa mulher que eles soltaram do centro de detenção de imigrantes, essa criatura que eu sou, essa é uma nova raça humana. Não há nada de natural em mim. Nasci - não, renasci - no cativeiro.  [Abelhinha Pag. 15]

Eu li o livro em dois dias. A história é muito interessante, aborda um tema bastante delicado que é a vida dos refugiados que tentam começar suas vidas num país diferente dos deles, o que não é nada fácil. O livro te dá um banho de realidade chocante. Mas apesar de todo o drama, a história também tem várias partes divertidas e emocionantes. O Charlie, filho da Sarah, vive refugiado em sua fantasia de Batman [na primeira página do livro há uma foto de um garotinho vestido de Batman, que deve ser o Charlie; irei mostrar no próximo vídeo da minha caixinha de correio],  e é ele que irá despertar várias risadas na gente durante a leitura. No livro a narração de cada capítulo é intercalado entre a Abelhinha e Sarah. O final é de deixar a gente sem fôlego, meu coração quase parou com tamanho choque. Tenho certeza que vocês que irão ler ficarão assim também. Eu só fiquei triste pelo modo como ele terminou, achei que o autor poderia ter prolongado mais, ficou uma coisa sem fim pra você usar sua imaginação. Mas o autor fez um trabalho muito bem feito, principalmente pela narração, se tratando do ponto de vista de uma mulher sendo escrito por um homem, acho que ele conseguiu fazer isso perfeitamente, como se realmente uma mulher tivesse escrito suas sensações.
O livro vai virar filme, e a atriz que irá interpretar a Sarah será a Nicole Kidman e eu não vejo atriz melhor pra fazer esse papel, tenho certeza que ela será perfeita como Sarah e mal posso esperar pra assistir ao filme quando estrear. Adoro dramas! Pequena Abelha é um daqueles livros que te deixa saudades quando você termina de lê-lo. 
 Nas pernas escuras da moça havia muitas cicatrizes brancas pequeninas. E pensei: Será que essas cicatrizes estão no seu corpo inteiro, como as luas e estrelas no seu vestido? Achei que isso também seria bonito, e peço-lhe neste instante que faça o favor de concordar comigo que uma cicatriz nunca é feia. Isto é o que aqueles que produzem as cricatrizes querem que pensemos. Mas você e eu temos de fazer um acordo e desafiá-los. Temos de ver todas as cricatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser o nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz siginifica: "Eu sobrevivi.  [Abelhinha Pag. 17]

Quando vi meu filho, empurrei Andrew para fora de mim e procurei freneticamente a beirada do edredom para nos cobrir. E disse:
- Oh, meu Deus, Charlie, desculpe.
Meu filho olhou para trás, depois olhou para mim outra vez.
- Charlie não está aqui. Sou o Batman.
Assenti e mordi o lábio.
- Bom dia, Batman.
- O que você e papai estão fazendo, mamãe?
- Ahn...
- Cês tão lutando contra os bandidos?
- "Vocês estão" lutando contra os bandidos, Charlie, e não "cês tão".
- Vocês estão?
- Estamos, Batman, é exatamente o que estamos fazendo.
Sorri para meu filho e esperei. Fiquei pesando o que Batman diria em seguida. E o que ele disse foi:
- Alguém fazeu cocô em meu uniforme, mamãe.
- Fez cocô, Charlie.
- É. Um cocô enorme.
- Ah, Batman. Foi você que fez cocô em seu uniforme?
Batman sacudiu a cabeça. Suas bat-orelhas estremeceram. Debaixo da máscara, uma expressão de grande astúcia estampou-se na parte visível de seu rosto.
- Não fui eu que fiz este cocô. Foi o Puffin.
- Está me dizendo que o Puffin veio à noite e fez cocô no seu bat-uniforme?
Batman balançou a cabeça concordando. Reparei que estava usando a máscara mas despira sua roupa de Batman. Estava nu, exceto pela capa e pela máscara. Levantou a roupa de Batman para eu examinar. Uma bolota de algo caiu de dentro e bateu no tapete. O cheiro era indescritível. Sentei na cama e vi uma trilha de bolotas pelo tapete até a porta do quarto. Em algum lugar dentro de mim, a moça que optou por ciências no ensino médio notou, com fascinação empírica, que as fezes tinham se espalhado por outros locais, que incluem - mas não se limitavam a - as mãos de Batman, o batente da porta, a parede do quarto, meu rádio-despertador e, claro, o uniforme do Batman. A merda de meu filho estava em toda parte. Havia merda em suas mãos. Merda em seu rosto. Até no bat-escudo amarelo e preto de seu bat-uniforme havia merda. Tentei, mas não consegui acreditar que eram excrementos de puffin. Aquilo era Bat-merda. [Sarah Pag. 37]

Nota:
CHRIS CLEAVE nasceu em 1973, em Londres. Estudou psicologia em Oxford e é colunista do jornal The Guardian. Pequena Abelha, seu segundo livro, publicado em 20 países, será adaptado para o cinema, estrelado e produzido por Nicole Kidman. Foi finalista do prêmio Costa de 2008 como Melhor Obra de Ficção e indicado para o prêmio Commonwealth Writers' como Melhor Livro de 2009. O primeiro livro de Cleave, Incendiary, vencedor do prêmio Somerset Maugham, do prêmio First Fiction do United States Book-of-the-Month Club e do prêmio Especial do Júri do Prix des Lecteurs francês, teve versão cinematográfica por Ewan McGregor e Michelle Williams. O autor mora em Londres com a esposa francesa e os três filhos.

 

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10 comentários:

  1. Fiquei curiosa, estou com ele aqui p/ ler, cada dia me empolgo mais em passá-lo na frente dos outros...rs

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  2. Oi flor
    Fiquei ainda mais curiosa depois dessa sua resenha emocionante. o/
    Parece ser uma história realmente muito boa!
    Quero ler...
    hehe

    Beijão

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  3. Adorei as partes do livro que vc colocou, parece ser mt bom!

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  4. O livro parece ser ótimo!!! Ri mt com o Bat-coco rsrs

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  5. Fiquei mt interessada nesse livro agora depois dessa resenha. Está de parabéns, adorei! XOXO

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  6. Andy, eu bem sei o que é isso rsrs
    Esse livro é mt bom!!!

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  7. Oi, Mirelli, o livro tem uma história maravilhosa. Eu realmente não esperava que fosse gostar tanto. Imaginava uma coisa nada a ver.
    Recomendo!

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  8. Hey anônimo, se identifique rsrs
    Foram umas das partes que eu mais gostei do livro. ^^

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  9. Oi, Viviiiii
    Obrigadaaa
    Espero que leia o livro pra conferir. ;)

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